10.11.09

Amourissima

Estás envolvido num conjunto de emoções pela música que estás a ouvir. Pões a tocar exactamente aquela música que sabes que se adequa ao teu estado de espírito do momento. É a música que o determina ou ele a ela? Apetece-te chorar, pensar em quão triste a tua vida pode ser e é (está?) neste momento. Sentes-te ligeiramente emocional, com vontade de receber um abraço, pensas no efeito que o álcool já teve em ti e que provocou estes pensamentos.
Até que se te caem os auscultadores, desaparece a música e reparas em tudo o que a tua cabeça é capaz de construir, se estiveres para ali virado.

9.11.09

Amor à pátria



Hoje contribuí para as exportações portuguesas.

8.11.09

09.11.89



20 anos sem muro.

5.11.09

Da necessidade de debates amplos e referendos na sociedade portuguesa

Eu não sou católico. Exijo um referendo sobre a ida do papa a Portugal. Estamos em crise, não admito que os meus impostos sejam gastos com a segurança necessária aos passeios desse senhor pelo meu país.

4.11.09

musik.de: Fettes Brot

(2000) Porque, pelo seu ritmo, o alemão é indiscutivelmente a melhor língua para se fazer hiphop.

3.11.09

Eu até nem curto linkar cenas...

Aos 14 anos fui para a escola pública. Fiquei em choque durante um mês. Descobri rapazes, pobres, ateus, conflitos sociais e debate livre de ideias. Ao mesmo tempo, descobri outros católicos. Católicos que me falaram pela primeira vez em amor em vez de pecado, em perdão em vez de castigo, em fazer em vez de apenas rezar. Descobri, com esses católicos, a acção social. Descobri que há um deus de todos que a todos ama e que a todos aceita. Na verdade, um pai, que nunca, por natureza, renega um filho. Foi assim. na escola pública, no meu Rainha Dona Amélia, que não ficou no topo do ranking das escolas, que me deram a dimensão de pessoa. Mais tarde disse adeus a deus. Mas sem mágoa, porque foi de outro deus que me despedi.

... mas esta teve que ser. Este relato fez-me lembrar a minha descoberta, há uns anos, do meu caderno da catequese, onde figurava a questão mais importante de que uma criança de 9 anos se deve ocupar:
'Se Deus quer que eu faça o bem, porque continuo a pecar?'

Das culturas como fardos

Quanto mais alemães conheço, mais me arrepio com o pouco interesse que têm pelo próprio país, uma consequência da ferida aberta pelo passado recente. Muitos alemães acham que devem viver numa espécie de limbo. É possível que não haja nenhum outro país, pelo menos no mundo ocidental, que tenha que lidar consigo próprio desta forma, sabendo que não pode falar de si com orgulho e cuja forma de divulgar a própria cultura tem que ser diferente da de toda a gente. Ou seja, não é mostrando o legado histórico que os alemães se divulgam, é simplesmente responsabilizando-se por ele, pelo bom e pelo mau, e vivendo como se nascer com esta nacionalidade não fosse mais que uma acção biológica que não deve comportar grandes entusiasmos, que não o de que há mais mundo para ver e bem mais interessante do que o próprio.

Isto leva-me a fazer a seguinte reflexão: como é o nosso orgulho, nosso dos portugueses, como povo? Falar em povos como entidades homogéneas já não faz sentido, mas as imagens pré-feitas continuam a existir, especialmente aquelas sobre os povos como entidades que nos incutem desde sempre. Nós somos X, os alemães são Y, os chineses são Z. E por isso pergunto, que imagem nos incutem e quão semelhantes ou diferentes serão os portugueses em relação a ela? Fará sentido ainda fazer este tipo de reflexão? Quantas pessoas corresponderiam à imagem que temos de nós próprios como entidade? Não deveríamos, nos nossos dias, fazer outro tipo de perguntas? E qual seria mais apropriada? 'Como são os europeus?' 'Como são os ocidentais?' 'Como são os minhotos?' 'Como são os lisboetas?' 'Como são as pessoas do meu bairro?' Que gaveta devemos ter em conta para examinar isso do 'ser português'? O que é 'ser português'? Para que quero eu saber o que é ser português? Sou português? O que é que faz uma nacionalidade? O que é que faz um povo? O que é uma cultura?

1.11.09

Outono num país sem persianas


01.11.09



23.09.09


Chegou o Outono e o vento levou as folhas das árvores e a minha privacidade.

Giulietta Masina


Esta coisa da sincronização de filmes tem muito que se lhe diga. Alugo o La strada (1954), de Federico Fellini, e vejo que não tem a versão original. Vejo a versão dobrada em alemão. Só no fim descubro que, afinal, na parte dos extras, existe a versão original em italiano com legendas em alemão. Acontece que a Gelsomina, interpretada por Giulietta Masina, que descobri que entrou em grande parte dos filmes de Fellini (além de ter sido sua esposa), tem uma voz original menos interessante ou, melhor dito, menos adequada à personagem, do que a voz em alemão. E confesso logo eu isto, que sempre me insurgi contra as dobragens por esconderem a voz, parte tão importante da prestação de um actor. De resto, a Giulietta é bela (como se pode ver na foto), assim como todo o filme, que recomendo. Fiquei fã do Fellini. Pode ser um primeiro passo para a minha aproximação a um país que nunca me interessou (embora sempre tivesse achado piada à forma de bota).

31.10.09

Viva a lusofonia

Diz-me um alemão desconhecido no meio da pista:
És português? Eu falo português. Buceta! Buceta! Você é gostosa!

30.10.09

Dok Leipzig

Decorre esta semana o Dok Leipzig - Festival anual de Documentários e Filmes de Animação. Ontem houve uma sessão especial intitulada 'Die portugiesische Seele/The Portuguese Soul', em que foram mostrados 8 filmes de animação portugueses. Todos os filmes eram extremamente interessantes e senti-me um perfeito bacoco por não dar atenção a este género em Portugal. Entre estes filmes, estava o tão falado (e premiado) 'História trágica com final feliz', de Regina Pessoa, o filme português (curta-metragem - 7 minutos) que mais prémios recebeu em todo o mundo até hoje. Percebi porquê. Podem vê-lo aqui.

Discriminação

Hoje reparei que as plantas que me parecem mais bonitas são aquelas que rego com mais água.

29.10.09

O sonho de uma vida

Hoje uma produtora de televisão contactou-me. Parece que vou poder contribuir para o lixo televisivo alemão. Dou detalhes quando os houver.

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